Maurício Perroud
O desafio da subnotificação
A perigosa realidade da subnotificação de Reações Adversas a Medicamentos (RAM) 🚨
Você sabia? É estimado que apenas 6% a 10% de todas as reações adversas a medicamentos são notificadas? A subnotificação é uma preocupação de saúde internacional e representa a principal limitação dos sistemas voluntários de farmacovigilância. Quando deixamos de notificar, atrasamos a emissão de alertas de segurança cruciais, o que compromete a saúde pública e pode colocar muitos outros pacientes em risco.
Mas por que nós, profissionais da saúde, deixamos de relatar esses eventos? Pesquisas apontam que as atitudes e o conhecimento dos profissionais são os principais determinantes desse problema. Os motivos frequentemente recaem nos chamados "pecados capitais" de Inman:
📉 Desconhecimento (presente em 86,2% dos estudos): A crença equivocada de que apenas reações graves precisam ser notificadas.
📉 Letargia (84,6%): A falta de tempo, a procrastinação, o esquecimento ou o pensamento de que o relato gerará trabalho extra.
📉 Complacência (46,2%): A falsa sensação de segurança, acreditando que apenas medicamentos bem tolerados têm permissão para estar no mercado.
📉 Timidez e Insegurança (até 44,6%): O medo de parecer ridículo ao relatar uma suspeita ou a incerteza sobre a relação de causa e efeito do medicamento com a reação.
Além das atitudes pessoais, fatores ambientais e estruturais também pesam. A falta de feedback das autoridades após o envio de um relato, as preocupações com a confidencialidade e o próprio desconhecimento sobre como relatar são barreiras significativas na nossa rotina.
Como podemos mudar esse cenário? As evidências mostram que esses fatores são perfeitamente modificáveis. Precisamos focar em:
💡 Educação contínua: O treinamento adequado sobre como notificar e a própria vivência clínica com reações adversas são fortes preditores para uma notificação bem-sucedida. Intervenções educacionais são fundamentais para mudar o comportamento dos profissionais.
💡 Simplificação de processos: Padronizar a notificação e criar métodos mais fáceis. A integração de formulários eletrônicos e hiperlinks aos sistemas de informação de saúde (como prontuários eletrônicos) reduz o esforço e facilita a rotina.
💡 Cultura positiva e Retorno: É essencial criar uma cultura de notificação onde o profissional se sinta capacitado e, principalmente, receba feedback sobre as suas notificações, entendendo que sua ação foi correta e útil.
A farmacovigilância é um dever de todos nós. Cada notificação importa para avaliar continuamente os riscos e benefícios dos tratamentos e garantir a segurança dos pacientes.

